Silêncios que adoecem o trabalhador
O assédio velado, vai além de um simples problema de convivência. Hoje, já é reconhecido como um risco ocupacional, capaz de impactar diretamente a saúde física e emocional dos trabalhadores.
Por Ana Beatriz Leal
Nem toda forma de violência no ambiente de trabalho se manifesta de maneira explícita. Muitas vezes, aparece de forma sutil. Na interrupção constante durante reuniões, no elogio que vem acompanhado de uma desqualificação, ou na exclusão intencional de decisões importantes.
Este tipo de comportamento, conhecido como assédio velado, vai além de um simples problema de convivência. Hoje, já é reconhecido como um risco ocupacional, capaz de impactar diretamente a saúde física e emocional dos trabalhadores.
Com a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), as empresas brasileiras passaram a ter um novo prazo, até 26 de maio de 2026, para identificar, avaliar e controlar os chamados riscos psicossociais no ambiente laboral. Aliás, a regra é esta. Mas, as empresas já estão sinalizando um novo pedido de adiamento da aplicação das multas por descumprimento.
A mudança reforça que situações como metas inalcançáveis, lideranças abusivas e a falta de espaços de escuta também podem provocar adoecimento. Diferentemente do assédio direto e evidente, o velado se caracteriza como uma forma de violência psicológica indireta. Acontece por meio de atitudes aparentemente neutras que, quando repetidas, acabam por minar a confiança, a estabilidade emocional e as condições de trabalho de quem é alvo destas práticas.
Diante do alto índice de adoecimento no mundo do trabalho, sobretudo de ordem mental, as empresas precisam, urgentemente, promover ambientes mais saudáveis, respeitosos e verdadeiramente seguros para todos. E isto vai muito além de palestras e folhetos. É no dia a dia e com mudança de postura das organizações e lideranças.
