Mulheres concentram cuidado de pessoas com autismo no país
De acordo com os dados, além de assumirem a maior parte das tarefas relacionadas ao acompanhamento de pessoas autistas, as mulheres enfrentam dificuldades para conciliar trabalho e renda com as demandas intensas do cuidado.
Por Caio Ribeiro
Pesquisa recente do Mapa do Autismo no Brasil aponta que mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) no Brasil, evidenciando uma sobrecarga que impacta diretamente a vida profissional, emocional e social das cuidadoras. O levantamento mostra que o cuidado ainda recai majoritariamente sobre mães e outras familiares, reforçando desigualdades de gênero historicamente presentes na divisão do trabalho doméstico e de cuidado.
De acordo com os dados, além de assumirem a maior parte das tarefas relacionadas ao acompanhamento de pessoas autistas, as mulheres enfrentam dificuldades para conciliar trabalho e renda com as demandas intensas do cuidado. Em muitos casos, há redução da jornada profissional ou até abandono do emprego, o que amplia a vulnerabilidade econômica das famílias.
O estudo também destaca que o cuidado com pessoas com autismo exige dedicação contínua e acesso a serviços especializados, o que nem sempre está disponível de forma adequada na rede pública. A ausência de políticas mais robustas de apoio aos cuidadores agrava o cenário, tornando esse trabalho, essencial para a sociedade, invisibilizado e não remunerado na maioria dos casos.
Diante do quadro, especialistas defendem a ampliação de políticas públicas voltadas ao cuidado, com suporte financeiro, psicológico e social às famílias, além de maior investimento em serviços de saúde e inclusão. O reconhecimento do papel das mulheres cuidadoras é apontado como fundamental para enfrentar desigualdades e garantir melhores condições de vida para pessoas com autismo e seus familiares.
