Mães solo e a precarização do trabalho

Mais de 11 milhões de mulheres brasileiras criam os filhos sozinhas. A desigualdade também tem recorte racial: cerca de 62% das mães solo no país são negras.

Por Caio Ribeiro

Mais de 11 milhões de mulheres brasileiras criam os filhos sozinhas e enfrentam uma rotina marcada pela precarização do trabalho, baixos salários e sobrecarga de cuidados. Estudos recentes mostram que mães solo recebem menos, têm maior presença na informalidade e encontram mais dificuldades para acessar empregos formais e direitos trabalhistas.

 

A desigualdade também tem recorte racial: cerca de 62% das mães solo no país são negras. Muitas acabam concentradas em atividades desvalorizadas, como o trabalho doméstico, enquanto enfrentam jornadas duplas e até triplas entre emprego, cuidados com os filhos e assistência a familiares idosos.

 

Especialistas apontam que a falta de creches em tempo integral e de políticas públicas de cuidado agrava ainda mais a exclusão das mulheres no mercado de trabalho. Hoje, apenas cerca de 41% das crianças de até três anos têm acesso à creche no Brasil, dificultando que mães consigam trabalhar ou se qualificar profissionalmente.

 

Garantir proteção social, igualdade salarial e políticas de cuidado são fundamentais para combater a desigualdade enfrentada pelas mães solo. A valorização do trabalho das mulheres e a ampliação de direitos seguem como desafios centrais na luta por um mercado de trabalho mais justo e inclusivo.