Sinais de reconstrução animam a população

O levantamento Predictions for 2026, da Ipsos, aponta que 66% da população mundial consideraram 2025 um ano ruim para seus países. No Brasil, este índice cai para 61% e ainda registra melhora em relação ao ano anterior. O resultado sinaliza que parte da sociedade percebe mudanças no rumo econômico, com maior presença do Estado e retomada de políticas voltadas à proteção social e ao emprego.

Por Julia Portela

A democracia social vai bem, obrigado. Mesmo em uma conjuntura marcada por violações das regras internacionais, ameaças de Trump e risco de crise econômica global, o Brasil aparece entre os países com maior expectativa positiva em relação a 2026.

 

O dado contrasta com a realidade vivida por expressiva parcela da população mundial e indica uma inflexão importante após anos de políticas ultraliberais impostas nos governos Temer e Bolsonaro, as quais aprofundaram as desigualdades, desmontaram serviços públicos e reduziram a renda dos trabalhadores.

 

O levantamento Predictions for 2026, da Ipsos, aponta que 66% da população mundial consideraram 2025 um ano ruim para seus países. No Brasil, este índice cai para 61% e ainda registra melhora em relação ao ano anterior. O resultado sinaliza que parte da sociedade percebe mudanças no rumo econômico, com maior presença do Estado e retomada de políticas voltadas à proteção social e ao emprego.

 

A expectativa em relação a 2026 é ainda mais reveladora. Apenas 36% dos brasileiros acreditam na possibilidade de recessão, percentual bem abaixo da média global de 48%. Além disto, 80% avaliam que este ano será melhor do que o atual, reforçando a leitura de que a economia começa a se afastar da lógica de austeridade permanente imposta nos últimos anos.

 

Este sentimento não surge por acaso, pois reflete a reconstrução gradual de direitos básicos e a revalorização do trabalho como eixo do desenvolvimento. Embora os ganhos não atinjam os setores mais ricos, representam um avanço concreto para uma sociedade profundamente desigual, que volta a enxergar perspectivas após um ciclo de retrocessos sociais e econômicos.