Encontro debate táticas para eleições 2026

A centralidade da luta política passa, necessariamente, pelo enfrentamento à "guerra cultural" promovida por setores reacionários, que utilizam o disparo em massa de notícias falsas e especulações para manipular a opinião pública.

Por Julia Portela

O 9º Encontro de Comunicadores e Ativistas Digitais, realizado na última sexta-feira (24) e sábado (25), em São Paulo pelo Barão de Itararé, consolidou-se como um espaço estratégico de resistência contra o avanço do modelo ultraliberal. Com o apoio e participação do Sindicato dos Bancários da Bahia, o evento colocou a comunicação no centro da tática política para as eleições de 2026. O debate reafirmou que a disputa de narrativas é a ferramenta indispensável para proteger os direitos dos trabalhadores, sistematicamente atacados pela extrema direita e pela precarização ultraliberal.


A centralidade da luta política passa, necessariamente, pelo enfrentamento à "guerra cultural" promovida por setores reacionários, que utilizam o disparo em massa de notícias falsas e especulações para manipular a opinião pública. Durante as atividades, destacou-se a urgência de uma comunicação com mais rebeldia, capaz de disputar valores e conceitos que a oposição tenta sequestrar. A meta estabelecida é clara: é preciso apresentar projetos que enfrentem temas estruturais, garantindo que o bem-estar social prevaleça sobre a lógica desenfreada do mercado financeiro.


A mesa dedicada ao papel da mídia progressista, mediada pelo diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários da Bahia, Adelmo Andrade, reuniu representantes da Revista Fórum, TVT News, DCM e Brasil 247. O painel reforçou a necessidade vital de articulação entre veículos alternativos e movimentos sociais para romper o muro da mídia hegemônica e furar as bolhas de informação controladas por algoritmos. Sem investimento robusto na comunicação popular, a voz dos trabalhadores continuará sendo silenciada pelo poder econômico que sustenta os grandes conglomerados de mídia.


Outro ponto crucial do encontro foi a denúncia do poder predatório das Big Techs, que lucram com a intermediação de dados e a disseminação de discursos de ódio. O entendimento coletivo é de que, sem uma regulamentação rigorosa dessas empresas, qualquer tentativa de democratização da informação 
se torna frágil. A soberania digital brasileira deve ser defendida como uma questão de Estado, impedindo que corporações internacionais ditem os rumos do debate político nacional e favoreçam a ascensão de regimes autoritários.


O encerramento do evento deixou como tarefa o fortalecimento de um ecossistema informacional nacional equilibrado e militante. O desafio colocado é estrutural: é necessário transformar a comunicação em um instrumento por mudanças reais, que priorize a vida e o trabalho em detrimento do lucro. A articulação entre ativistas e sindicatos é o caminho para construir uma contraofensiva capaz de vencer a brutalidade e consolidar um projeto de país verdadeiramente soberano e voltado aos interesses populares.