Junho Violeta: quando a modernização exclui

Quando um banco elimina canais presenciais, quando um serviço público passa a existir apenas pela internet ou quando o atendimento humano é substituído por máquinas

Por Julia Portela

Em nome da tecnologia, empresas vendem a ideia de que tudo ficou mais simples. Mas para milhões de idosos, a realidade é outra. A digitalização acelerada dos serviços, o fechamento de agências e a redução do atendimento presencial transformaram tarefas básicas em verdadeiras barreiras para quem não cresceu em um mundo dominado por aplicativos e telas.

 

A exclusão digital é uma das faces mais silenciosas da violência contra a pessoa idosa. Quando um banco elimina canais presenciais, quando um serviço público passa a existir apenas pela internet ou quando o atendimento humano é substituído por máquinas, parte da população é deixada para trás. Não por falta de capacidade, mas porque o acesso aos direitos passa a depender de ferramentas que nem todos conseguem utilizar.

 

O problema se soma a outras formas de preconceito que atingem os idosos diariamente. O etarismo, a dificuldade de permanência no mercado de trabalho, a solidão e o abandono reforçam a ideia equivocada de que envelhecer significa perder espaço na sociedade. Em vez de inclusão, muitos encontram obstáculos e invisibilidade.

 

Neste Junho Violeta, o debate vai além do combate à violência física. É preciso questionar um modelo de sociedade que trata o envelhecimento como um problema e transforma a tecnologia em mais uma ferramenta de exclusão. Respeitar a população idosa também significa garantir acesso, acolhimento e dignidade.