Bancários pagam, IA fica com o lucro
Setor mais rentável da economia brasileira, o sistema financeiro já utiliza a IA e os bots nas operações bancárias. Ao mesmo tempo, os funcionários enfrentam rotinas cada vez mais cansativas, sob pressão constante por metas e resultados, enquanto os direitos são ameaçados.
Por Juliana Ambrozi
À sombra da postura intransigente dos bancos na mesa de negociação da campanha salarial, a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) divulgou a pretensão do investimento de cerca R$ 3 bilhões em inteligência artificial, analytics e big data, ainda este ano.
Setor mais rentável da economia brasileira, o sistema financeiro já utiliza a IA e os bots nas operações bancárias. Ao mesmo tempo, os funcionários enfrentam rotinas cada vez mais cansativas, sob pressão constante por metas e resultados, enquanto os direitos são ameaçados. O avanço da inteligência artificial representa mais uma ameaça ao segmento, que enfrenta condições de trabalho cada vez mais precarizadas.
Ano passado, os bancos atingiram lucro recorde de R$ 255 bilhões, mas o ganho não se converte em retorno para os funcionários que fazem a produção crescer e para a sociedade, que utiliza os serviços. Na última rodada de negociação, a Fenaban propôs aumento salarial de apenas 2,57%, valor inferior à inflação acumulada no período agosto/2025 a setembro/2026, estimada em 4,13%.
Os banqueiros ainda tiveram o desplante de propor o congelamento dos auxílios creche e babá, fim do auxílio-funeral, além da extinção da multa em casos de descumprimento da CCT (Convenção Coletiva do Trabalho).
A preocupação da Febraban é investir cada vez mais bilhões de reais em tecnologias de análise de dados e capacitação de profissionais de TI (Tecnologia da Informação), a fim de reduzir custos com mão de obra e empurrar os clientes para operações em ambiente virtual.
Enquanto gastam bilhões em inteligência artificial e novas tecnologias, os bancos negam os direitos básicos dos bancários, se mantêm inflexíveis na mesa de negociação da campanha salarial, precarizam as relações de trabalho, insistem em cortar outros direitos e fecham agências.


