Fenaban cede, mas não o suficiente
Apesar da melhora na proposta apresentada pelos bancos, ainda falta muito para atingir as reivindicações da categoria. A expectativa é de que, na rodada desta sexta-feira (28/08), que começa logo mais, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) finalmente apresente algo capaz de ser aprovado pelos bancários.
Por Rose Lima
Apesar da melhora na proposta apresentada pelos bancos, ainda falta muito para atingir as reivindicações da categoria. A expectativa é de que, na rodada desta sexta-feira (28/08), que começa logo mais, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) finalmente apresente algo capaz de ser aprovado pelos bancários.
A mudança de postura veio apenas nesta quinta-feira (27/08), durante a 12ª negociação da campanha salarial, quando, pela primeira vez desde o início das discussões, a Fenaban apresentou uma proposta sem arrocho sobre salários e demais verbas. O índice avançou para a reposição integral da inflação, estimada em cerca de 4% para o período de 12 meses encerrado em 31 de agosto.
Embora represente um avanço em relação às propostas anteriores, que impunham perdas à categoria, o reajuste ainda não contempla aumento real. Por isso, a proposta foi rejeitada pelo Comando Nacional dos Bancários.
“Essa melhora é resultado direto da nossa mobilização. Mas ainda é insuficiente. Os bancos podem oferecer mais, e é isso que vamos cobrar nesta rodada: aumento real nos salários, valorização dos vales e uma PLR que distribua de forma mais justa os resultados que os trabalhadores ajudam a construir todos os dias”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez.
Vales abaixo da inflação
A proposta apresentada pela Fenaban prevê 100% do INPC para salários e demais cláusulas econômicas, mas mantém índices diferentes para os vales.
Para o vale-alimentação, os bancos propõem reajuste de 2,99%, correspondente à inflação da alimentação em domicílio medida pelo IPCA. O índice representa perda real de cerca de 1,1% em relação ao INPC.
Já o vale-refeição (VR) teria reajuste de 4,39%, acompanhando a inflação das refeições fora do domicílio. Para o Comando Nacional, os índices não atendem à necessidade de valorização dos direitos, especialmente diante do peso que alimentação e refeição têm no orçamento dos trabalhadores.
Também houve mudança na proposta para a PLR l. A Fenaban abandonou a tentativa de congelar tetos e parcelas fixas e passou a propor a correção pelo INPC. O avanço, porém, não resolve a reivindicação central da categoria: a valorização efetiva da Participação nos Lucros e Resultados, com melhoria da parcela adicional para que uma fatia maior dos resultados dos bancos seja distribuída aos trabalhadores.
Além disso, ao longo das negociações, a categoria conseguiu impedir propostas de retirada de direitos e congelamento de verbas. Entre as tentativas rejeitadas estava a retirada da gratificação de caixa, sob a alegação dos bancos de que a função estaria em extinção.
Também avançaram as discussões sobre indenização adicional e mecanismos de recolocação no mercado de trabalho para os bancários demitidos em razão do fechamento de agências.
Ao longo da campanha, o Comando Nacional também avançou em temas como a RN-1, proteção dos trabalhadores diante da gestão ética da tecnologia, monitoramento digital não invasivo, direito à desconexão e cláusulas de combate ao assédio.
Bancos podem avançar
A nova proposta representa uma mudança importante em relação ao que vinha sendo apresentado pela Fenaban, mas não encerra a campanha. Para mais de 400 mil bancários de bancos públicos e privados, a reivindicação continua sendo por valorização real.


