COLUNA SAQUE

Postado: 28/04/2022 - 10:00

PERIGOSAMENTE
O processo de degradação da democracia e da República continua em ritmo acelerado. Bolsonaro, que sempre tentou desqualificar o processo eleitoral, já fala em adiar as eleições. Concedeu perdão ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF por crimes contra a Constituição, e a Câmara ainda o elegeu vice-presidente da CCJ. O golpe caminha, a passos largos.


 
REVELAÇÕES
Em apenas um dia, Bolsonaro cometeu um ato falho e fez uma confissão de culpa. Ao atacar mais uma vez o ministro Roberto Barroso, do STF, ele disse: “Temos um chefe do Executivo que mente”. Enfim uma verdade! Para completar, admitiu pela primeira vez a possibilidade de adiar a eleição, uma vontade que nutre por saber do grande risco de ser derrotado nas urnas.


 
JUSTIÇA
A decisão da Comissão de Direitos Humanos da ONU, de reconhecer que Lula foi alvo de perseguição política e não teve um julgamento imparcial, representa não apenas uma vitória pessoal do ex-presidente, mas também da resistência democrática, que sempre denunciou as ilegalidades da Lava Jato, as quais abriram espaço para a ascensão do neofascismo bolsonarista.

 
CONDENAÇÃO
Ao sentenciar a Lava Jato e concluir que Lula foi vítima de um tribunal de exceção, a Comissão de Direitos Humanos da ONU, por tabela, também condena a Justiça brasileira, pois a aberrante ilegalidade foi endossada pelo TRF4 e o STJ, além de considerar Sérgio Moro como juiz ladrão. A decisão ainda desmascara Deltan Dallagnol e toda a criminosa República de Curitiba.
 


CONDESCENDÊNCIA
A realidade é a seguinte: se o STF tivesse barrado o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016, enquadrado a Lava Jato, impedido a prisão ilegal de Lula em 2018 e exercido com afinco a defesa da Constituição, o Brasil não estaria passando sufoco agora e o Estado democrático de direito não enfrentaria hoje tamanha ameaça. É o que dá condescender ao arbítrio.