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Sem empatia, Bradesco fecha agências lucrativas e demite funcionários 

No artigo, Almir Leal trata de ganância do Bradesco

Sem freio e sem piedade, o Bradesco segue fechando agências rentáveis e demitindo funcionários em massa, amparado no discurso de “eficiência operacional”.
 

 

Nos últimos anos, dezenas de unidades foram encerradas — muitas administrando ativos entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões. Apesar desses números expressivos, o banco aposta no modelo digital, acreditando que os clientes permanecerão fiéis. A estratégia pode até reduzir despesas no curto prazo, mas ameaça corroer, no médio e longo prazo, a base de ativos e o relacionamento de confiança construído com as comunidades.
 

 

É importante lembrar: uma agência bancária não é apenas um ponto de atendimento. Ela administra tanto a captação de recursos (contas e aplicações) quanto as linhas de crédito (empréstimos, financiamentos, consignados etc.). Esses dois lados, somados, formam o ativo da unidade.
 

 

No Bradesco, o crédito consignado é o grande motor de lucratividade — não apenas para aposentados do INSS, mas também para servidores municipais, já que diversas prefeituras mantêm convênios com o banco. Só esse produto, isoladamente, já garante o resultado positivo de muitas agências.
 

 

E a realidade é clara: lucro não faltava. Em cidades com até 10 mil habitantes, mesmo após descontadas todas as despesas, havia agências que registravam entre R$ 200 mil e R$ 300 mil de lucro líquido por mês. Ainda assim, o banco insiste em fechar portas, sacrificando a população. Clientes são obrigados a percorrer longas distâncias para resolver questões simples, como desbloquear um cartão ou assinar um contrato.
 

 

A pergunta é direta: um banco que fecha agências lucrativas na sua cidade e ignora a comunidade merece a sua confiança?
Se a sua cidade ainda conta com uma agência, valorize-a. Mantenha suas operações por lá. O Bradesco tem desconsiderado municípios, estados e até o próprio país, priorizando exclusivamente os interesses dos acionistas.

 

 

Agência que dá lucro não tem justificativa para ser fechada.
 

 

Números da reestruturação — dinheiro sobrou, emprego sumiu
    •    2024: Lucro líquido recorrente de R$ 19,6 bilhões (+20% sobre 2023). Apesar disso, o banco fechou 390 agências, 903 postos de atendimento e 92 unidades de negócio, encerrando o ano com 2.305 agências.
    •    1º trimestre de 2025: Lucro líquido de R$ 5,864 bilhões (+39% em relação ao mesmo período de 2024). No entanto, foram encerradas mais 420 agências, 891 postos e 81 unidades de negócio, restando 2.284 agências físicas.
    •    Demissões:
    •    2024: corte de 2.200 postos de trabalho, reduzindo o quadro a 84.022 funcionários.
    •    1º trimestre de 2025: mais 2.269 cortes (657 apenas no trimestre), totalizando 83.365 funcionários.
    •    1º semestre de 2025: já são 2.564 desligados, sendo 1.218 só no último trimestre, junto ao fechamento de 342 agências, 1.067 postos e 127 unidades de negócio.
    •    Cobertura das despesas: somente com tarifas e serviços, o Bradesco pagou 122,4% das despesas com pessoal em 2023 e 114,8% no 1º trimestre de 2025.

 

 

Enquanto isso, governadores e parlamentares mantêm silêncio diante de uma reestruturação que atinge milhares de trabalhadores e clientes, especialmente idosos e pessoas vulneráveis, que ficam sem atendimento próximo de casa. Na Bahia, o deputado estadual Bobô (PCdoB) chegou a levantar o tema, mas não há registros de medidas concretas contra esse processo que desmonta empregos, lucra alto e despreza comunidades inteiras.

 

 

* Almir Leal é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia