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[Dia da Consciência Negra: bancários fazem tuitaço]

Dia da Consciência Negra: bancários fazem tuitaço

Postado dia: 20/11/2020 - 11:40

Nesta sexta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, os bancários de todo o país realizam tuitaço, às 12h, para chamar a atenção para a necessidade de ampliar a luta contra o racismo e o preconceito no Brasil. A categoria deve utilizar a hashtag #VidasNegrasImportam.

O 20 de novembro relembra a história de luta do povo negro e foi escolhida por conta da morte de Zumbi dos Palmares, um dos símbolos mais importantes da resistência negra no Brasil e da libertação dos escravos, em 1695.

A CTB realiza a live cultural, às 19h, nomeada de Canto ao Almirante, um grito de liberdade, no canal da Central no Youtube. Na oportunidade, será feita homenagem ao marinheiro João Cândido (1889-1969), o “almirante negro” da música de João Bosco e Aldir Blanc, que liderou a revolta da Chibata em 1910. 

 

Salários rebaixados 
Mais uma prova da desigualdade racial no Brasil. Os trabalhadores brancos ganham, em média, 69,3% a mais do que os negros e pardos, considerando o mesmo número de horas trabalhadas. Inacreditável. 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, mostrou que a remuneração média do homem não negro ficou em R$ 3.484,00, enquanto a da mulher negra foi de R$ 1.573,00 no segundo trimestre de 2020. A renda foi 54,85% menor. Em média, o homem negro recebeu um salário de R$ 1.950,00, 44,02% a menos do que os não negros e a mulher não negra ganhou R$ 2.660,00, 23,65% a menos do que os homens não negros.

O número de pessoas que se declaram de cor preta ou parda em atividades que exigem menos instrução escolar e salários mais baixos é bem maior do que de brancos. O negro é maioria na agropecuária, com percentual de 62,7%, depois na construção, com 65,2%, e nos serviços domésticos, 66,6%. Já os brancos predominam em cargos nas áreas financeiras, da informação e outras atividades com rendimento superior e maior estudo.

 

Bala perdida sempre “achada” por negros  
O preconceito racial continua expondo a população negra à violência. Segundo levantamento realizado pelo Departamento de Sociologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), os negros tem de três a sete vezes mais chances de serem baleados pela polícia. 

A pesquisa leva em consideração a abordagem, letalidade policial e prisões em flagrante, segundo as características de cor/raça. O recorte só foi possível pelas características raciais presentes nos boletins de ocorrência. 

Um dos problemas diagnosticado pelo levantamento é o modelo de policiamento ostensivo adotado no Brasil, baseado na busca de atitudes suspeitas. Características corporais e sociais da população negra e periférica, como o uso de boné de aba reta, camiseta de time, andando em grupo, ou até mesmo pelo movimento corporal, um andar meio gingando, são vistas como um risco potencial.

 

Barreiras no mercado de trabalho
Apesar de terem crescido os debates em torno das questões raciais, os negros, principalmente as mulheres, continuam enfrentando barreiras no mercado de trabalho. É o que aponta a pesquisa da Triwi. 

Os dados mostram que 24% das empresas não têm mulheres negras no quadro de funcionários, o que corresponde a cerca de uma em cada quatro local de trabalho. Quase 70% não contam com colaboradoras com alguma deficiência física. 

Além disso, a pesquisa revela que 46,8% das empresas possuem até 10% das empregadas negras e apenas 3,2% têm mais de 51%. No recorte de cargos de chefias, 27,4% das empresas são comandadas por homens, enquanto que em 32,2% têm até 10% de mulheres no comando.