Transição energética deve ser soberana e justa

A discussão partiu do entendimento de que preservação e degradação ambiental são escolhas sociais e, portanto, políticas. O debate reforça a ideia de que a questão ambiental é inseparável da luta da classe trabalhadora e da disputa por um projeto de desenvolvimento que priorize o ser humano ante a proteção do capital. 

Por Itana Oliveira

A manhã do segundo dia do Curso Internacional de Formação Política e Sindical da CTB, nesta quarta-feira (28/01), foi dedicada ao tema “Meio Ambiente, Energia e Transição Justa”, com exposições de Daniel Soares e Lucas Valadares, professor de geografia e de economia, respectivamente. A discussão partiu do entendimento de que preservação e degradação ambiental são escolhas sociais e, portanto, políticas. 


Daniel destacou que onde ainda existem florestas preservadas há povos e comunidades que organizam formas de uso e reprodução dos recursos. Para o especialista, não faz sentido falar da crise ambiental sem abordar no modelo capitalista que a sustenta. 


O professor também ressaltou que o meio ambiente urbano precisa estar no centro do debate, já que a maioria da população brasileira vive nas cidades e afirma ser necessário discutir quem paga pelos custos ambientais, além de ressaltar que o tema precisa ser ampliado para fora das universidades, de modo a chegar nas casas, comunidades e entidades sindicais. 


Em seguida, a conversa foi conduzida pelo economista Lucas Valadares, que abordou o conceito de capital fóssil, que conceitua a dependência capitalista dos combustíveis fósseis e explicou que petróleo e gás não são apenas mercadorias. Segundo Valadares, a estrutura faz parte de uma relação social que sustenta o modelo contemporâneo de exploração e dificulta a transição energética, visto que a crise climática envolve dimensões econômicas, produtivas e sociais.

 
O economista chamou atenção para o fato de que as metas climáticas definidas no Acordo de Paris (2015) não estão sendo cumpridas, enquanto empresas seguem ampliando a produção de combustíveis fósseis, sem sofrerem consequências legais. Os impactos recaem sobre a população mais vulnerável, visto que as áreas de risco por degradação ambiental são majoritariamente ocupadas por pessoas de baixa renda, alocadas em áreas de exploração, que sofrem diretamente com a perda de recursos naturais, contaminação e precarização da saúde e moradia. 


Lucas defendeu a segurança energética com soberania nacional, diversificação das fontes renováveis, políticas industriais de longo prazo, valorização das estatais, qualificação da força de trabalho e proteção social às comunidades atingidas. A transição, afirmou, precisa ser justa, soberana e popular, com papel estratégico da Petrobras.


O debate reforça a ideia de que a questão ambiental é inseparável da luta da classe trabalhadora e da disputa por um projeto de desenvolvimento que priorize o ser humano ante a proteção do capital. 


O curso segue até sábado (31/01), discutindo temas que afetam diretamente a realidade do trabalhador. O encerramento será dedicado à análise do Sistema Financeiro Nacional e do papel do Estado, reunindo especialistas e propondo reflexões para compreender o cenário atual e fortalecer a luta dos trabalhadores.