Dignidade para viver
Segundo a análise Sonhos da Favela 2026, realizada pelo Data Favela, o desejo da população brasileira se resume à dignidade necessária para viver. Entre os entrevistados, 31% desejam ter uma casa melhor; 41% gostariam de alcançar maior organização financeira, incluindo limpar o nome, realidade apontada por 37%, e 7% querem evitar novas dívidas.
Por Itana Oliveira
A extrema direita atribui ao pobre o papel de grande vilão do desenvolvimento do Brasil. O recebimento de auxílios do governo é narrado como um dos principais responsáveis pelos problemas do país. Ao observar, no entanto, pesquisas realizadas nas periferias, percebe-se que o sonho do povo é tão básico que causa indignação ao constatar a simplicidade.
Segundo a análise Sonhos da Favela 2026, realizada pelo Data Favela, o desejo da população brasileira se resume à dignidade necessária para viver. Entre os entrevistados, 31% desejam ter uma casa melhor; 41% gostariam de alcançar maior organização financeira, incluindo limpar o nome, realidade apontada por 37%, e 7% querem evitar novas dívidas.
O sonho de ver os filhos na universidade é mencionado por 12%. Além disso, 13% enxergam a educação como caminho para ascensão social, especialmente em um contexto no qual a necessidade de trabalhar, muitas vezes antes da conclusão do ensino básico, impede a população mais vulnerável de se dedicar a uma formação profissional. Trata-se da realidade de milhões de brasileiros.
Abrir o próprio negócio é o objetivo de 38%, dado que pode ser explicado pelas más condições de trabalho e pelos baixos salários frequentemente oferecidos no país. Sem a valorização do salário mínimo promovida pelo atual governo, a situação poderia ser mais grave. Outros 24% desejam trabalhar com o que gostam e, novamente em busca de uma estabilidade cada vez mais rara, 16% almejam ingressar no serviço público por meio de concursos.
No que diz respeito à segurança pública, viver com tranquilidade também figura entre as prioridades. O estudo aponta que 47% anseiam pelo direito de ir e vir. Em seguida, 29% desejam a redução da violência e 17% mencionam a necessidade de um policiamento mais respeitoso.
O levantamento reforça que a população não busca riqueza, apenas condições mínimas de existência. O que está em pauta é o direito de viver com dignidade, com os mesmos direitos e oportunidades assegurados à parcela mais privilegiada da sociedade.
