Educação pública em disputa

A expansão do modelo se intensificou a partir de 2021 e está alinhada a um projeto conservador que enfraquece a gestão democrática e impõe hierarquização rígida no cotidiano escolar.

Por Julia Portela

A escola pública brasileira está sob disputa. De um lado, educadores que defendem gestão democrática, pluralidade e formação crítica; de outro, governos que transformam unidades de ensino em espaços de disciplina militar e controle. Essa ofensiva fez o número de escolas cívico-militares saltar de 48, em 2014, para 1.389 em janeiro de 2026, crescimento de 2.793,75%, segundo levantamento de Fernando Cássio, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

 

 

A expansão do modelo se intensificou a partir de 2021 e está alinhada a um projeto conservador que enfraquece a gestão democrática e impõe hierarquização rígida no cotidiano escolar. Sob o discurso de “ordem” e “eficiência”, promove-se padronização de comportamento e deslegitima-se a diversidade, esvaziando o papel da escola como espaço de construção crítica e emancipadora.

 

 

Há ainda o impacto direto no orçamento. Recursos da educação básica passam a financiar salários e gratificações de militares da reserva, enquanto escolas regulares enfrentam carência de estrutura, desvalorização docente e falta de investimentos pedagógicos. Não existem evidências consistentes de superioridade acadêmica que justifiquem essa prioridade política.

 

 

A militarização do ensino público integra um projeto que redefine a função social da educação e restringe direitos. Defender escola pública, inclusiva e socialmente referenciada é parte central da luta em defesa dos serviços públicos e da formação cidadã da classe trabalhadora.