Indústria lucra, povo adoece

O dado escancara uma crise de saúde pública que atinge, sobretudo, os mais pobres.

Por Julia Portela

Em quase duas décadas, a obesidade entre adultos brasileiros mais do que dobrou. O crescimento de 118% em 19 anos, apontado pelo Vigitel e divulgado pelo Ministério da Saúde, revela um avanço contínuo e alarmante nas capitais do país. O dado escancara uma crise de saúde pública que atinge, sobretudo, os mais pobres.

 

 

O cenário está diretamente relacionado à piora das condições de vida. A substituição de alimentos frescos por ultraprocessados, mais baratos e amplamente distribuídos pelas grandes indústrias, não é fruto do acaso. Trata-se de um modelo econômico que prioriza o lucro enquanto empurra a população para uma alimentação pobre em nutrientes e rica em substâncias que favorecem o adoecimento.

 

 

A realidade das jornadas extensas, metas abusivas e pressão permanente agrava o problema. A falta de tempo para descanso, preparo adequado de refeições e prática de atividade física não programada é consequência da intensificação do trabalho e da precarização das relações laborais.

 

 

O avanço da obesidade não pode ser tratado como responsabilidade individual. É resultado de escolhas políticas e econômicas que colocam o mercado acima da saúde coletiva. Enfrentar essa epidemia exige políticas públicas efetivas, regulação da indústria alimentícia e condições dignas de trabalho que garantam qualidade de vida à população.