Recorde de ações trabalhistas em 2025
Especialistas atribuem o crescimento à revisão de pontos da reforma após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e do próprio TST, especialmente no que diz respeito à gratuidade da Justiça do Trabalho, que havia sido restringida.
Por Itana Oliveira
As novas ações na Justiça do Trabalho cresceram 8,47% entre 2024 e 2025 e atingiram o maior patamar desde a reforma trabalhista de 2017. Em 2025, foram protocolados 2,321 milhões de processos, frente a 2,134 milhões no ano anterior, conforme dados do TST (Tribunal Superior do Trabalho).
Especialistas atribuem o crescimento à revisão de pontos da reforma após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e do próprio TST, especialmente no que diz respeito à gratuidade da Justiça do Trabalho, que havia sido restringida. Com a retomada do acesso gratuito em determinadas condições, trabalhadores voltaram a procurar o Judiciário para reivindicar direitos. Isso indica menos barreiras para quem depende do salário e não pode arcar com custos processuais.
A reforma trabalhista, aprovada pelo governo Temer em 2017 sob o argumento de atualização das normas, modificou mais de uma centena de artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), ampliou formas de contratação frágeis, a terceirização, flexibilizou jornadas, permitiu que acordos prevaleçam sobre a própria lei e impôs riscos financeiros a quem ingressasse com ação e fosse derrotado, afastando milhares de trabalhadores da Justiça.
O balanço desses oito anos mostra que as promessas de geração acelerada de empregos e redução da informalidade não se confirmaram. Houve perda de garantias históricas e enfraquecimento da proteção social, e o avanço recente das ações trabalhistas reflete a reação de trabalhadores diante de descumprimentos de direitos e da necessidade de recorrer ao Judiciário para assegurar verbas básicas, como rescisões e depósitos de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
