Ansiedade vira rotina no país

Dados do estudo Tensões Culturais 2026, da Quiddity, revelam que um em cada três brasileiros não tem motivação para levantar da cama, tendo a ansiedade como principal causa.

Por Julia Portela

O avanço da ansiedade entre trabalhadores escancara o custo humano de um modelo que explora até o limite e ignora a saúde de quem sustenta a economia. O adoecimento mental deixa de ser exceção e se transforma em regra, em um cenário marcado por sobrecarga, insegurança e pressão permanente.

 

Dados do estudo Tensões Culturais 2026, da Quiddity, revelam que um em cada três brasileiros não tem motivação para levantar da cama, tendo a ansiedade como principal causa. O país segue funcionando, mas à custa do esgotamento de milhões de trabalhadores que sustentam a produtividade enquanto enfrentam, em silêncio, o desgaste emocional.

 

A pesquisa aponta a ansiedade como o sentimento mais presente, atingindo 43% dos entrevistados, seguida por exaustão (33%) e desânimo (28%). A convivência entre cansaço extremo e a necessidade de seguir em frente revela uma adaptação forçada, em que o sofrimento é naturalizado como parte da rotina.

 

A normalização do adoecimento mental não pode ser tratada como resiliência. Trata-se de um alerta urgente sobre os limites de um modelo que adoece e descarta. Enfrentar esta realidade exige romper com a lógica que prioriza o lucro e colocar a vida e a saúde dos trabalhadores no centro das decisões.