Bancos cobram juros exorbitantes no crédito rotativo

O índice não é maior porque, em 2024, o Congresso e o governo limitaram a dívida do crédito rotativo, que antes podia ultrapassar o valor original. Ainda assim, os juros cobrados acabam levando à inadimplência de até mesmo quem inicialmente devia pouco.

Por Itana Oliveira

Os juros médios cobrados pelos bancos no crédito rotativo, diga-se de passagem, donos do capital, subiram para 436% ao ano, em fevereiro, segundo o Banco Central, divulgada nesta segunda-feira (30/03). Esta é a linha de crédito mais cara do ramo: 30 vezes acima da taxa básica da economia. De forma absurda, especialistas do ramo financeiro responsabilizam os consumidores pelo acúmulo de inadimplência. De acordo com a autarquia, 40 milhões de brasileiros encerraram janeiro endividados.

 

O índice não é maior porque, em 2024, o Congresso e o governo limitaram a dívida do crédito rotativo, que antes podia ultrapassar o valor original. Ainda assim, os juros cobrados acabam levando à inadimplência de até mesmo quem inicialmente devia pouco. A modalidade, que atingiu 63,5% de inadimplência, impõe penalidades para quem não consegue quitar o valor até a data de vencimento.

 

A responsabilidade deve ser corretamente atribuída. O Banco Central, que mesmo diante da melhora econômica, dos altos índices de emprego, mantém elevada a taxa Selic, atualmente em 14,75%, legitima esse cenário quando se trata do aumento da dívida da população.

 

Na prática, o endividamento do cartão de crédito se refere muito mais aos juros acumulados do que propriamente ao uso por parte do cliente.