Educação cobra o que o PNE promete

Com 19 objetivos, o novo plano substitui o PNE em vigor desde 2014, prorrogado até o fim do ano passado, e repete metas que nunca saíram do papel, como a destinação de 10% do PIB para a educação.

Por Julia Portela

Em meio à pressão por respostas concretas para a educação pública, o plenário do Senado Federal aprovou recentemente o novo PNE (Plano Nacional de Educação), que estabelece metas até 2034 e segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida recoloca no centro do debate a necessidade de garantir investimento e prioridade real para o setor.

 

Com 19 objetivos, o novo plano substitui o PNE em vigor desde 2014, prorrogado até o fim do ano passado, e repete metas que nunca saíram do papel, como a destinação de 10% do PIB para a educação. A reincidência dessas promessas evidencia o histórico de negligência e a falta de compromisso estrutural com a educação pública, especialmente para os trabalhadores.

 

Entre as metas, está a alfabetização de 80% das crianças até o fim do 2º ano do ensino fundamental até 2030, com previsão de universalização até 2035. O texto também mantém a exigência de melhoria na formação de professores, com metas de desempenho no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Sem valorização profissional e financiamento adequado, essas metas seguem distantes da realidade enfrentada nas escolas.

 

A aprovação do novo PNE reforça a urgência de transformar metas em ações concretas. Sem enfrentamento às desigualdades e garantia de recursos, o plano corre o risco de repetir um ciclo de promessas não cumpridas, mantendo a educação pública aquém das necessidades da população.