Gás do Povo tem mulheres como maioria absoluta
O dado mais revelador está no perfil de quem sustenta esses lares: mais de 96% das famílias beneficiadas são chefiadas por mulheres.
Por Caio Ribeiro
O programa Gás do Povo chegou a quase 15 milhões de lares em abril, consolidando-se como uma das principais políticas de enfrentamento à pobreza no país. A iniciativa garante a recarga gratuita do botijão de gás para famílias de baixa renda, ampliando o acesso à energia básica e aliviando o orçamento doméstico em meio ao alto custo de vida.
Porém, o dado mais revelador está no perfil de quem sustenta esses lares: mais de 96% das famílias beneficiadas são chefiadas por mulheres. O número escancara uma realidade estrutural do Brasil, onde são elas que, majoritariamente, assumem a responsabilidade pelo sustento e organização das casas, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade social.
Neste sentido, o programa vai além do acesso ao gás de cozinha e evidencia o papel central das mulheres na sobrevivência das famílias trabalhadoras. Ao direcionar o benefício a esse público, a política reconhece, ainda que parcialmente, o peso da desigualdade de gênero na base da pirâmide social e a sobrecarga enfrentada por milhões de brasileiras.
Ainda assim, o cenário revela uma contradição: enquanto políticas emergenciais amenizam a pobreza, permanece intacta a estrutura que empurra mulheres, especialmente as mais pobres, para a linha de frente da precarização. Garantir dignidade energética é fundamental, mas não substitui a necessidade de mudanças profundas que enfrentem a desigualdade social e de gênero no país.
