Guerra do Estado contra o povo
A violência de Estado no Brasil não pode ser tratada como desvio ou exceção: é parte estruturante de um modelo histórico de controle social. Conforme análise publicada pelo portal Vermelho, a lógica da repressão se sustenta na construção do chamado “inimigo interno”, consolidada durante a ditadura militar e mantida até hoje nas políticas de segurança pública.
Por Caio Ribeiro
A violência de Estado no Brasil não pode ser tratada como desvio ou exceção: é parte estruturante de um modelo histórico de controle social. Conforme análise publicada pelo portal Vermelho, a lógica da repressão se sustenta na construção do chamado “inimigo interno”, consolidada durante a ditadura militar e mantida até hoje nas políticas de segurança pública. Trata-se de uma continuidade que transforma parcelas da população, sobretudo jovens negros e moradores das periferias, em alvos permanentes da ação estatal.
Esse modelo não apenas tolera a violência, mas também incorpora como instrumento legítimo de gestão social. A atuação policial letal e seletiva revela que o Estado brasileiro opera, na prática, como uma máquina de guerra voltada contra o próprio povo, na qual direitos são relativizados e vidas são hierarquizadas. Não há neutralidade: existe um padrão que define quem deve ser protegido e quem pode ser eliminado sob o discurso da “ordem”.
A persistência dessa lógica evidencia a falência de um projeto de segurança pública baseado na militarização e no confronto. Ao invés de enfrentar as raízes sociais da violência, o Estado opta por aprofundar o ciclo de repressão, criminalização da pobreza e encarceramento em massa, reforçando desigualdades históricas e ampliando a exclusão social.
Diante disto, é urgente romper com esse paradigma. Denunciar a violência de Estado não é apenas uma questão de direitos humanos, mas de defesa da democracia. Enquanto prevalecer a política de guerra contra os mais vulneráveis, o país seguirá reproduzindo injustiça, insegurança e morte como política pública.
