A conta é simples: menos trabalho, mais dignidade

Enquanto no Brasil o debate ainda enfrenta forte resistência de setores alinhados ao empresariado, experiências internacionais avançam e demonstram ser possível reorganizar o tempo de trabalho sem prejuízos à economia.

Por Julia Portela

A redução da jornada de trabalho tem deixado de ser uma proposta teórica para se consolidar como realidade concreta em diferentes países. Enquanto no Brasil o debate ainda enfrenta forte resistência de setores alinhados ao empresariado, experiências internacionais avançam e demonstram ser possível reorganizar o tempo de trabalho sem prejuízos à economia.

 

Na Alemanha, um projeto piloto iniciado em 2024 com 45 empresas apontou resultados consistentes após dois anos: 70% das participantes mantiveram algum modelo de jornada reduzida. A iniciativa evidenciou que melhores condições de vida impactam diretamente na produtividade, contrariando o discurso de que jornadas extensas são necessárias para garantir desempenho.

 

O modelo adotado, conhecido como 100-80-100: 100% do salário, 80% da jornada e 100% da produtividade, também foi implementado em países como Espanha, Portugal e Reino Unido, com resultados semelhantes. A diversidade de setores e portes das empresas envolvidas reforça que a medida é aplicável em diferentes realidades e não se restringe a contextos específicos.

 

Diante desses dados, o debate no Brasil expõe um impasse político: de um lado, evidências que apontam para a melhoria das condições de trabalho e aumento da eficiência; de outro, a resistência de setores que insistem na manutenção de modelos que ampliam a exploração e limitam avanços nos direitos da classe trabalhadora.