Campanha enfrenta indústria das bets

A iniciativa busca alertar a sociedade para os impactos das bets e dos jogos de azar online, denunciando um modelo de negócio que lucra com o sofrimento de milhares de pessoas. O movimento também convoca a população a pressionar influenciadores e celebridades para que deixem de normalizar uma atividade que tem levado a população ao endividamento.

Por Julia Portela

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para pagar contas, garantir alimentação e manter o orçamento familiar em dia, uma indústria bilionária avança sobre a renda dos brasileiros, vendendo a falsa promessa de enriquecimento rápido. As plataformas de apostas online transformaram o desespero e a esperança de quem mais precisa em fonte de lucro, ampliando o endividamento, a dependência e os problemas sociais em todo o país.

 

É neste contexto que surge a campanha “Block no Tigrinho”, lançada oficialmente no ambiente digital e já apoiada por artistas, músicos, atores e outras personalidades públicas. A iniciativa busca alertar a sociedade para os impactos das bets e dos jogos de azar online, denunciando um modelo de negócio que lucra com o sofrimento de milhares de pessoas. O movimento também convoca a população a pressionar influenciadores e celebridades para que deixem de normalizar uma atividade que tem levado a população ao endividamento.

 

A reação à campanha, no entanto, escancarou a hipocrisia de parte dos grandes influenciadores digitais do país que divulgam bets. Em vez de discutir os impactos sociais das apostas, o aumento dos casos de vício ou o papel que desempenham na promoção das plataformas, muitos preferem atacar os artistas que aderiram à mobilização. A estratégia é conhecida: fugir do debate principal e criar uma falsa polêmica em torno da Lei Rouanet para proteger um mercado que movimenta bilhões de reais e do qual eles lucram fortunas, direta e indiretamente.

 

O discurso de que recursos da cultura deveriam ser transferidos para saúde e educação não passa de uma cortina de fumaça. Além de ignorar que os mecanismos de financiamento são distintos, a narrativa busca transformar artistas em inimigos da população, enquanto silencia sobre um setor que enriquece explorando a vulnerabilidade econômica de milhões de brasileiros. É um argumento covarde, construído para gerar engajamento fácil nas redes sociais e evitar qualquer reflexão séria sobre a responsabilidade daqueles que usam a influência para atrair seguidores para as plataformas de apostas.