A conta da doença é social

Os dados refletem não apenas o envelhecimento da população, mas sobretudo a desigualdade estrutural que define quem vive e quem adoece.

Por Julia Portela

O avanço do câncer no Brasil não é uma fatalidade, mas resultado direto de escolhas políticas. Entre 2026 e 2028, o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano, colocando a doença no mesmo patamar das cardiovasculares como principal causa de morte. O número revela o custo humano de um modelo que negligencia a saúde pública e empurra a classe trabalhadora para a doença e a morte evitáveis.

 

Os dados refletem não apenas o envelhecimento da população, mas sobretudo a desigualdade estrutural que define quem vive e quem adoece. A falta de acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento rápido é consequência do desmonte de políticas públicas, do subfinanciamento do SUS e da priorização do lucro em detrimento da vida.

 

Em um país historicamente marcado pela urbanização precária, pela ausência de saneamento básico e pela exposição cotidiana a fatores de risco, o câncer avança onde o Estado se ausenta. Enfrentar essa realidade exige romper com o modelo ultraliberal que transforma a saúde em mercadoria e nega à maioria o direito a uma vida digna.