Direitos negados nas favelas
Não é apenas uma questão de “melhorar” um bairro, trata-se de garantir direitos que deveriam ser universais e que, há décadas, são negados a milhões de brasileiros por falhas estatais crônicas.
Por Caio Ribeiro
A mais recente pesquisa do Data Favela, que ouviu 4.471 moradores de comunidades em todas as regiões do Brasil, expõe de forma crua a realidade de quem vive nas favelas: ainda que haja força de trabalho, cultura e planos de futuro, a vida cotidiana segue marcada por carências de infraestrutura e de direitos básicos.
Ao projetarem o futuro da família para este ano, a grande maioria aponta como urgências não assistidas o acesso a uma moradia digna, serviços de saúde de qualidade e segurança no território, superando desejos como educação superior dos filhos ou segurança alimentar, que aparecem em posições secundárias.
O levantamento revela um retrato claro de desigualdade: apesar de contribuir com trabalho e dinamismo para a economia, a população das favelas segue à margem das políticas públicas essenciais. Não é apenas uma questão de “melhorar” um bairro, trata-se de garantir direitos que deveriam ser universais e que, há décadas, são negados a milhões de brasileiros por falhas estatais crônicas.
É inaceitável que o direito à saúde, à moradia segura e à proteção contra a violência ainda sejam reivindicações prioritárias em pleno 2026. Esse cenário evidencia que políticas públicas fragmentadas e discursos paliativos não alteram a vida real de quem vive nas periferias.
A resposta do poder público deve ser incisiva: investimentos estruturais, planos de segurança que respeitem direitos humanos, acesso pleno à saúde e políticas de habitação efetivas e urgentes não podem mais esperar. Sem isso, as favelas continuarão a ser espaços de sobrevivência e não de cidadania plena.
