Sem agências físicas, Nubank passa a integrar Febraban

É inegável que a digitalização é um fenômeno irreversível. No entanto, o que se questiona é a forma com que é imposta. Ao celebrar a entrada do Nubank, a Febraban sinaliza que a ausência de agências é aceitável, mesmo diante da demanda da população por suporte físico para resolver problemas, lidar com fraudes ou simplesmente exercer o direito de acesso ao sistema financeiro.

Por Itana Oliveira

Houve um período em que a ausência de agências físicas tornava os bancos digitais alvo de descrédito e até de ironias. O cenário, no entanto, caminha para o lado oposto, com o anúncio da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) de que o Nubank, instituição sem qualquer estrutura presencial, agora integra a entidade que historicamente representa os grandes bancos do país.


A mudança, embora apresentada como sinal de modernização, escancara uma contradição profunda. Ao incorporar uma fintech sem atendimento físico, a Febraban não apenas reconhece um novo modelo de negócio, mas também legitima a progressiva retirada de um serviço essencial em um país marcado por desigualdades de acesso. 


É inegável que a digitalização é um fenômeno irreversível. No entanto, o que se questiona é a forma com que é imposta. Ao celebrar a entrada do Nubank, a Febraban sinaliza que a ausência de agências é aceitável, mesmo diante da demanda da população por suporte físico para resolver problemas, lidar com fraudes ou simplesmente exercer o direito de acesso ao sistema financeiro.


O movimento sindical reafirma que a inovação tecnológica não pode servir de justificativa para a supressão de direitos, a intensificação da precarização das relações de trabalho e o esvaziamento do papel social dos bancos.