A caminho do fim da escala 6x1
A proposta ganhou força a partir da mobilização social organizada em todo o país e encontrou respaldo no governo federal, que atuou politicamente para construir um acordo capaz de viabilizar a votação da matéria ainda neste semestre. Antes da votação em plenário, o relatório será analisado na Comissão Especial no dia 26 de maio.
Por Ana Beatriz Leal
A ofensiva pelo fim da escala 6x1 entra em momento decisivo no Congresso Nacional e amplia a pressão popular por uma mudança histórica nas relações de trabalho no Brasil. A Câmara dos Deputados deve votar no dia 27 de maio a PEC que reduz a jornada semanal e abre caminho para a consolidação da escala 5x2, atendendo reivindicação antiga do movimento sindical e de milhões de trabalhadores brasileiros.
A proposta ganhou força a partir da mobilização social organizada em todo o país e encontrou respaldo no governo federal, que atuou politicamente para construir um acordo capaz de viabilizar a votação da matéria ainda neste semestre. Antes da votação em plenário, o relatório será analisado na Comissão Especial no dia 26 de maio.
Hoje, mais de 14 milhões de brasileiros enfrentam a exaustiva escala 6x1, modelo que impõe seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. Para sindicatos e movimentos populares, o regime compromete a saúde física e mental dos trabalhadores, reduz o convívio familiar e aprofunda a precarização das condições de vida.
O bolso também sente. Os trabalhadores que cumprem jornada de 44 horas semanais - mais de 31 milhões de pessoas - também são castigados com salários mais baixos. Ganham, em média, R$ 2.391,24 por mês, 57,7% menor que quem trabalha 40 horas semanais, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, destacou que a proposta representa um passo importante para recuperar direitos fragilizados após a reforma trabalhista de Temer e as políticas de precarização de Bolsonaro.


