Violência recua, mas cor da pele determina quem morre

A população negra é assustadora e desproporcionalmente mais atingida e representa 79,7% das vítimas do total de mortes violentas intencionais. Segundo o estudo, a probabilidade de um cidadão negro ser assassinado no Brasil é 3,5 vezes superior à de uma pessoa branca.

Por Ana Beatriz Leal

Embora seja uma marca presente e sangrenta, a violência está em queda no Brasil, que fechou 2025 com o menor patamar de assassinatos da última década e meia, quer dizer, nos últimos 15 anos. Foram 40.775 vítimas de mortes violentas em todo o território nacional. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. 
 

A taxa nacional ficou em 19,1 registros para cada grupo de 100 mil habitantes. Redução de 8% em relação a 2024 e uma queda expressiva de 31% frente a 2012, ano que marca o início da série histórica do levantamento. 
 

Apesar da diminuição, a pesquisa expõe o aumento da letalidade em intervenções policiais e da persistente desigualdade racial nas estatísticas de violência, que ceifa vidas majoritariamente com o mesmo fenótipo. É a contradição bem retratada pelo rapper Emicida em “Dedo na Ferida”: "Quem pode menos, chora mais. Corre do gás, luta, morre, enquanto o sangue escorre." A queda dos indicadores não foi suficiente para romper a lógica de um país onde a cor da pele ainda determina quem morre mais.
 

A população negra é assustadora e desproporcionalmente mais atingida e representa 79,7% das vítimas do total de mortes violentas intencionais. Segundo o estudo, a probabilidade de um cidadão negro ser assassinado no Brasil é 3,5 vezes superior à de uma pessoa branca.
 

Se observados os óbitos resultantes de intervenções policiais, os negros correspondem a 82% das vítimas fatais, enquanto os brancos, 18%. Os dados mostram que, ao contrário do que deveriam ser, as esferas e poderes do Estado têm sido parte do problema. É preciso repensar a atuação destas estruturas.