Trabalho formal ainda exclui pessoas trans

Travestis e mulheres trans negras, em particular, enfrentam maiores dificuldades de inserção e manutenção no emprego formal.

Por Caio Ribeiro

O mercado de trabalho formal segue fechado para muitas pessoas trans no Brasil, apesar de pequenos avanços e programas de inclusão. Segundo uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apenas uma parte da população trans consegue emprego com carteira assinada. A desigualdade salarial e de oportunidades permanece alta.

 

A exclusão estrutural começa ainda na educação e se estende ao acesso às vagas, com barreiras institucionais e preconceito explícito ou implícito nos processos seletivos. Travestis e mulheres trans negras, em particular, enfrentam maiores dificuldades de inserção e manutenção no emprego formal.

Atualmente, iniciativas como o Projeto Nacional de Empregabilidade LGBTQIAPN+, do Ministério Público do Trabalho, oferecem capacitação e apoio para ampliar a inclusão no mercado formal. Nos últimos dois anos, o projeto treinou centenas de pessoas e ajudou a transformar parte da capacitação em contratação efetiva.

 

Especialistas e organizações da sociedade civil defendem que políticas públicas mais fortes, incluindo ações afirmativas, reserva de vagas em concursos, reconhecimento de nome social e fiscalização contra discriminação sejam implementadas para garantir acesso a trabalho digno e combater a transfobia no ambiente profissional.