Quatro mulheres mortas por dia
Este tipo de crime é o estágio extremo de uma sequência de violências físicas, psicológicas e patrimoniais sofridas pelas mulheres, geralmente dentro do ambiente doméstico.
Por Caio Ribeiro
O Brasil registrou 399 casos de feminicídio entre janeiro e março de 2026, uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia. Os dados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam o avanço da violência de gênero no país e escancaram a urgência de políticas públicas efetivas de proteção às mulheres.
Somente em janeiro foram contabilizadas 142 vítimas. São Paulo lidera o ranking nacional, seguido por Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Na Bahia, o número de casos também preocupa e reforça o cenário de insegurança enfrentado diariamente por milhares de mulheres. O levantamento aponta ainda crescimento dos casos em relação ao mesmo período do ano passado.
Especialistas alertam que este tipo de crime é o estágio extremo de uma sequência de violências físicas, psicológicas e patrimoniais sofridas pelas mulheres, geralmente dentro do ambiente doméstico. A maioria dos crimes é praticada por companheiros ou ex-companheiros, evidenciando a permanência da cultura machista e da violência de gênero na sociedade brasileira.
Diante do aumento dos casos, movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos das mulheres cobram mais investimentos em prevenção, fortalecimento da rede de acolhimento, ampliação das delegacias especializadas e rigor na aplicação da Lei Maria da Penha. O combate ao feminicídio exige ação permanente do Estado e mobilização de toda a sociedade.


