Prefeito Bruno Reis aumentou o buzu para R$ 5,90

Reajuste penaliza a população e preserva os interesses privados

Por Julia Portela

O reajuste de 5,36% imposto pelo prefeito Bruno Reis na tarifa de ônibus de Salvador aprofunda um modelo de transporte público que penaliza sistematicamente a população mais pobre. Com a passagem passando de R$ 5,60 para R$ 5,90, a capital baiana caminha para ter uma das tarifas mais caras entre as capitais brasileiras, ampliando a exclusão social e afastando ainda mais trabalhadores, estudantes e desempregados do sistema.


Tarifas elevadas reduzem o acesso ao transporte coletivo e ampliam desigualdades, ao transformar o direito de ir e vir em privilégio. O impacto é direto sobre quem depende do ônibus para trabalhar, estudar ou buscar serviços essenciais, ao mesmo tempo em que beneficia empresas concessionárias que seguem protegidas por contratos favoráveis e blindadas de prejuízos.


Ao anunciar o aumento durante o Festival da Virada, Bruno Reis justificou a medida com o chamado custo técnico do sistema, estimado em R$ 6,19 por passageiro. A resposta do governo municipal, no entanto, repete a lógica fracassada dos últimos anos: repassar o peso do reajuste à população e ampliar subsídios pagos com recursos públicos, alimentando um ciclo em que menos usuários utilizam o serviço e mais dinheiro é transferido às empresas.


O subsídio, que deveria garantir acesso, moderação tarifária e melhoria do serviço, acaba funcionando como mecanismo de transferência direta de recursos públicos para o setor privado, sem exigências proporcionais de qualidade, transparência ou eficiência. Enquanto isso, a população enfrenta ônibus lotados, frota envelhecida e longos tempos de deslocamento, evidenciando um modelo socialmente insustentável e politicamente orientado para preservar interesses empresariais.