Lucros bilionários e serviços questionados

Enquanto os bancos intensificam a busca por lucro, ampliam tarifas, pressionam bancários por metas abusivas e investem pesado em automação e redução de custos, a qualidade do serviço prestado à população segue aquém do esperado. 

Por Ana Beatriz Leal

Apesar de acumularem lucros recordes e ampliarem a base de clientes ano após ano, os grandes bancos que operam no Brasil protagonizam um cenário preocupante quando o assunto é a qualidade no atendimento e respeito aos consumidores. Dados do Banco Central revelam que, de outubro de 2024 a setembro de 2025, as maiores instituições financeiras concentraram reclamações pelos serviços prestados.
 

No topo do ranking aparece o Bradesco, que liderou com folga o número de queixas. O banco privado com a maior base de clientes, cerca de 110,4 milhões, acumulou 23,9 mil reclamações procedentes. Na sequência vem o Itaú, com aproximadamente 100,2 milhões de clientes e 15,9 mil registros confirmados pelo BC. O Santander, que possui uma carteira próxima de 70 milhões de usuários, contabilizou 8,9 mil denúncias.
 

Entre os bancos públicos, o cenário também chama atenção. A Caixa, que concentra a maior clientela do país, com cerca de 157 milhões de usuários, somou 14,8 mil reclamações. Já o Banco do Brasil, com 80,8 milhões de clientes, registrou 6,9 mil ocorrências.
 

Os números escancaram uma contradição do sistema financeiro. Enquanto os bancos intensificam a busca por lucro, ampliam tarifas, pressionam bancários por metas abusivas e investem pesado em automação e redução de custos, a qualidade do serviço prestado à população segue aquém do esperado.