A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 são medidas estratégicas

O modelo de seis dias de trabalho e apenas um de folga limita o acesso de trabalhadores, especialmente jovens, mulheres e negros, a estudo, lazer e cuidados com a saúde, além de contribuir para a manutenção de desigualdades sociais e regionais.

Por Rose Lima

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 são medidas estratégicas para melhorar a qualidade de vida, reduzir desigualdades no mercado de trabalho e estimular a geração de empregos. O modelo de seis dias de trabalho e apenas um de folga limita o acesso de trabalhadores, especialmente jovens, mulheres e negros, a estudo, lazer e cuidados com a saúde, além de contribuir para a manutenção de desigualdades sociais e regionais.

 

 

a”O assunto foi tema de debate do curso de formação política e sindical da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), nesta terça-feira (27/01). “A escala 6x1 tira o tempo de estudo, de cuidar da saúde e compromete o futuro de uma geração inteir, afirmou o professor de Geografia da UFG (Universidade Federal de Goiás) e coordenador do Observatório do Estado Social Brasileiro, Tadeu Alencar Arrais. Segundo ele, a discussão não se restringe à jornada. “O mundo do trabalho está diretamente ligado às políticas de saúde, de educação e às políticas sociais”, destacou.

 

 

Também alerta é o importante papel do Estado na mediação entre empregadores e trabalhadores e na consolidação dos direitos. “Se o Estado não tiver capacidade de intervir, a gente vai continuar tendo uma relação muito discrepante entre empregador e empregado”, disse a deputada federal Daiana Santos (PCdoB/RS). Para a parlamentar, a pauta ultrapassa divisões ideológicas. “Essa não é uma pauta de esquerda ou de direita, é do povo brasileiro”, pontuou.

 

 

Entre os desafios para o avanço estão resistências políticas no Congresso Nacional extremamente conservador e entregue à extrema-direita, em um cenário marcado por polarização e disputas em torno de direitos sociais. Segundo ela, há no Parlamento um “extremismo que não compreende a política pública como garantia de direito para o povo”.