Juros a 15% asfixiam a economia

O resultado é um país favorável ao rentismo e hostil às necessidades da população.

Por Rose Lima

Ao manter a Selic em 15% ao ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) asfixia ainda mais a economia brasileira. A decisão, tomada nesta quarta-feira (28/01), mantém os juros no maior patamar em 20 anos e consolida o Brasil entre os países com maiores juros reais do mundo, próximos de 11% ao ano.

 

 

O resultado é um país favorável ao rentismo e hostil às necessidades da população. O crédito caro desestimula investimentos, freia o crescimento econômico e compromete a geração de empregos formais. Não por acaso, a decisão desagradou até o setor produtivo. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avaliou que o atual nível da Selic impõe custos elevados à economia e ignora a desaceleração da inflação.

 

 

Enquanto o Copom segue o roteiro exigido pelo chamado “mercado”, quer dizer, pelos banqueiros, os custos sociais dos juros altos recaem sobre os brasileiros. No acumulado de 12 meses até novembro de 2025, o setor público gastou R$ 981,9 bilhões com juros da dívida, o equivalente a 7,77% do PIB. Em 2024, a despesa foi de R$ 950 bilhões. São recursos públicos que deixam de ser investidos em saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais para alimentar os lucros de bancos e rentistas.

 

 

Os impactos aparecem nos indicadores da economia real. A produção industrial ficou estagnada em novembro de 2025, com crescimento de apenas 0,6% no ano, bem abaixo do desempenho de 2024. No comércio varejista, altamente dependente de crédito, as vendas elevaram 1,5% entre janeiro e novembro, contra 4,7% no ano anterior.

 

 

A política de juros também aumenta a precarização. Apesar de o Banco Central afirmar que o mercado de trabalho segue “resiliente”, milhões de brasileiros enfrentam a falta de empregos de qualidade e recorrem a trabalhos informais, com longas jornadas e salário insuficiente para garantir condições dignas.