Saúde bucal não é mercadoria
Ampliando o atendimento em regiões historicamente abandonadas e a população trabalhadora empurrada à invisibilidade.
Por Julia Portela
O acesso à saúde bucal segue como um retrato da desigualdade social no Brasil. Mesmo sendo o país com o maior número de dentistas do mundo, o atendimento odontológico é tratado como privilégio de quem tem renda para sustentar tratamentos caros, enquanto a maioria da população convive com dor, abandono e perda de dignidade. A miséria se expressa na ausência de sorrisos, resultado direto de um modelo que transforma direito em mercadoria.
Nesse cenário, o governo federal anunciou a entrega de mais 400 Unidades Odontológicas Móveis até março, somando-se às 400 já disponibilizadas no ano passado. Ao todo, serão 800 novas unidades distribuídas em todas as unidades federativas, ampliando o atendimento em regiões historicamente abandonadas e a população trabalhadora empurrada à invisibilidade.
A política nacional de saúde bucal cumpre papel social na reparação dessa desigualdade. Garantir acesso universal ao cuidado odontológico não é favor nem gasto supérfluo, mas dever do Estado na afirmação da dignidade humana. Investir em saúde pública é enfrentar o projeto ultraliberal que exclui, adoece e nega direitos básicos à classe trabalhadora.
