A indecência da lucratividade dos bancos

Itaú, Bradesco e Santander registraram lucro acumulado de R$ 87,1 bilhões. O resultado é 16,4% superior ao obtido no ano anterior, quando totalizou R$ 76,8 bilhões. 

Por Ana Beatriz Leal

A lucratividade do sistema financeiro no Brasil chega a ser indecente. Principalmente quando se compara ao número de demissões e fechamento de agências. Ano passado, os grandes bancos tiveram balanços escandalosos. Itaú, Bradesco e Santander registraram lucro acumulado de R$ 87,1 bilhões. O resultado é 16,4% superior ao obtido no ano anterior, quando totalizou R$ 76,8 bilhões. 
 

O Itaú, maior banco em operação no país, lucrou R$ 46,8 bilhões. A coisa é tão exagerada, que os ganhos superaram os do Bradesco e Santander, juntos. Apesar da grandeza dos números, a empresa terminou o ano com 82.693 funcionários, após o fechamento de 3.535 vagas em 12 meses, 916 apenas no último trimestre. Em igual período, 319 agências físicas encerraram as atividades. 
 

O Bradesco viu o lucro crescer 26,1% em relação a 2024 e chegar a R$ 24,6 bilhões. Mas, as cifras têm um custo: o emprego do trabalhador. Em 12 meses, o banco eliminou 1.927 postos de trabalho, além de encerrar 296 agências, 1.098 postos de atendimento e 4 unidades de negócios.
 

Já o Santander obteve lucro de R$ 15,6 bilhões, crescimento de 12,6%. Em 12 meses, a holding fechou 2025 com 49.661 empregados, após a eliminação de 5.985 postos de trabalho, 2.086 cortes só no último trimestre. A rede física também encolheu. Em um ano foram encerrados 579 pontos de atendimento, incluindo lojas e PABs. O número de agências físicas caiu de 2.430 em dezembro de 2024 para 1.695 no mesmo mês do ano passado, redução de 735 unidades.