Reunião do Copom revisa a Selic

A decisão evidencia a manutenção de uma política monetária restritiva, alinhada aos interesses do sistema financeiro, que segue priorizando o controle inflacionário via juros elevados, mesmo com impactos diretos sobre a atividade econômica.

Por Julia Portela

Em meio ao discurso de instabilidade no cenário internacional, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (29) a terceira reunião do ano. O mercado financeiro projeta uma nova redução na taxa básica de juros, mesmo diante da alta do petróleo, pressões inflacionárias e guerra no Oriente Médio. A taxa, que já esteve em 15%, o maior patamar em quase duas décadas, encontra-se atualmente em 14,75% ao ano, com decisão prevista para a noite.

 

Na ata divulgada após a reunião de março, o Copom evitou sinalizar os próximos passos e indicou que o chamado “ciclo de calibração” seguirá condicionado ao comportamento da economia. A decisão evidencia a manutenção de uma política monetária restritiva, alinhada aos interesses do sistema financeiro, que segue priorizando o controle inflacionário via juros elevados, mesmo com impactos diretos sobre a atividade econômica.

 

A manutenção de taxas altas penaliza a população ao encarecer o crédito, dificultar o acesso a financiamentos e frear o crescimento. Pequenos negócios e setores produtivos são diretamente afetados, enquanto instituições financeiras aumentam seus ganhos com a política de juros elevados. Se trata de uma escolha política que sustenta a concentração de renda e limita o desenvolvimento econômico.

 

A redução em ritmo lento e cauteloso adotado pelo Banco Central revela resistência em abandonar um modelo que privilegia o rentismo. O debate sobre juros no país permanece central, diante da necessidade de uma política econômica comprometida com crescimento, emprego e melhores condições de vida.