O trabalho que adoece uma geração inteira
Pesquisa da Serasa Experian mostra que três em cada dez jovens desta faixa etária já precisaram pedir afastamento do trabalho por questões relacionadas à saúde mental.
Por Ana Beatriz Leal
A crise de saúde mental que afeta o Brasil deixou de ser um problema restrito a gênero, idade ou perfil social. O que antes era tratado com ironia ou reduzido ao rótulo de “geração mimimi”, agora aparece nos números, nos consultórios e dentro das empresas. A geração Z - jovens entre 18 e 28 anos -, tem dado sinais de que o atual modelo de trabalho adoece.
Pesquisa da Serasa Experian mostra que três em cada dez jovens desta faixa etária já precisaram pedir afastamento do trabalho por questões relacionadas à saúde mental. São trabalhadores que enfrentam rotinas marcadas por pressão constante, jornadas prolongadas e insegurança em relação ao futuro profissional.
O estudo revela ainda uma contradição no ambiente corporativo. Seis em cada 10 entrevistados afirmam que as empresas discursam sobre saúde mental, mas mantêm práticas consideradas incompatíveis com este cuidado. A bem verdade é que o discurso de bem-estar não acompanha a realidade enfrentada pelos trabalhadores.
A pesquisa aponta que os jovens valorizam modelos mais flexíveis de trabalho e ambientes que respeitem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Mesmo assim, apenas 28% dizem se sentir confortáveis para falar sobre saúde mental dentro da empresa.
O levantamento ouviu 233 brasileiros entre 18 e 28 anos, em todas as regiões do país, entre novembro e dezembro de 2025.


