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Patagônia, a nossa Amazônia

O artigo de Carlos Pronzato faz uma reflexão crítica sobre a relação entre Amazônia e Patagônia, destacando paralelos entre os dois territórios como reservas naturais estratégicas e alvo de interesses externos.

A Amazônia, cujo maior território se encontra no Brasil, (e inclui também Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), a maior floresta tropical mundial, resguardo da biodiversidade e do controle do clima do orbe terrestre, podemos dizer que é a nossa Patagônia, assim como esse vasto território no Sul do continente, repartido entre a Argentina e o Chile, seria a Amazônia destes dois países.

 

Ambos presentes da natureza, Patagônia e Amazônia, concentrados dentro dos limites artificiais impostos quando da criação dos estados nacionais, eternos alvos da cobiça imperialista e de governos submissos e entreguistas do nosso patrimônio, como foi o do Jair Bolsonaro, o atual do Javier Milei na Argentina e o do estreante José Antonio Kast que assumirá em 11 de março de 2026 no Chile e que, como herdeiro do ditador e genocida Augusto Pinochet, não medirá esforços para abrir docilmente as portas aos capitais das potências estrangeiras. Mas neste exíguo espaço, quero me deter no papel de uma potência militar subsidiada pelos EUA, Israel, na espoliação do território patagônico, negócios amparados pelo governo genuflexo e trumpista de Javier Milei.

 

Assim como a Amazônia, a Patagônia é o reservatório de água doce do mundo, e ambos ecossistemas estão em constante perigo pela sede de lucro da aliança neocolonialismo, neofascismo, neoliberalismo e sionismo internacional dos tempos que correm. O alerta é dado, como sempre, pelas populações nativas, neste caso, o povo mapuche (uma população aproximada de 2 milhões de pessoas) ou gente da terra (mapu = terra, che = gente) que habita a região há milhares de anos e que resistiu à conquista espanhola em ambos lados da Cordilheira dos Andes, no Puelmapu (Argentina) e no Gulumapu (Chile).

 

A Mekorot, empresa de água estatal israelense, a mesma que na Palestina ocupada rouba sistematicamente aos seus habitantes este recurso básico vital e o vende a preços exorbitantes, se instalou na Patagônia para levar a cabo a privatização da água. Acrescentemos a isto denúncias da presença de soldados israelenses que possuem mandados de prisão internacional por crimes na Faixa de Gaza e que estão na região atuando a serviço do Estado sionista e não apenas buscando fugir das condenações penais.

 

Recentemente, Milei também aprovou uma lei para explorar a mega mineração em áreas próximas a glaciais. Grupos como a RAM (Resistencia Ancestral Mapuche) vinculada a CAM (Coord. Arauco Malleco) que lutam contra a exploração destas mega empresas aliadas a todos os governos, foram classificados por Milei como grupos terroristas, clássico epíteto para enquadrar todos aqueles que defendem e lutam pela dignidade dos seus povos.

 

* Carlos Pronzato é cineasta, diretor teatral, poeta e escritor. Sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). [email protected]