Entrevista com Luciana Bagno, candidata à Diretoria da Cassi

A defesa da Cassi está no centro do debate no período eleitoral. A votação ocorre entre os dias 13 e 23 de março e definirá os representantes dos associados na gestão da Caixa de Assistência. Para falar sobre desafios, propostas e o futuro da Cassi, O Bancários conversou com Luciana Bagno, candidata à Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento, que integra as Chapas 2 e 55. Com quase 23 anos de Banco do Brasil e uma história de vida ligada à Cassi, ela compartilha sua trajetória e as ideias que pretende levar para a gestão.

Por Itana Oliveira

 

O Bancário: Luciana, para começarmos, se apresente para os associados. Quantos anos você tem de Banco do Brasil e como tem sido a atuação na defesa da Cassi?


Luciana Bagno: Tenho quase 23 anos de BB. E tenho 47 anos de vivência dentro da Cassi. Meu pai é funcionário do banco e foi representante. Quando completei 24 anos, perdi a condição de dependente. Faço aniversário em dezembro e, em março, o banco me chamou. Eu brinco que, na minha vida inteira, só fiquei três meses sem Cassi. Minha história é realmente dentro da Caixa de Assistência. 


O Bancário: O que motivou você a colocar seu nome à disposição para a Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento no momento tão decisivo para a Cassi?


LB: Ao longo da minha trajetória, nunca neguei desafios. Quando recebi o convite, tinha noção do tamanho da responsabilidade. A Cassi, por ser um plano de saúde, enfrenta desafios financeiros e de sustentabilidade. Mas, toda crise é uma oportunidade. Não é o primeiro momento delicado que enfrentamos. Sabemos que será necessário rediscutir custeio, isso será feito pelas entidades e pelo BB. Porém, é um momento para criar novas formas de custeio. O que defendemos é um modelo perene, para não precisarmos rediscutir o tema de tempos em tempos. Precisamos de estabilidade e previsibilidade.


O Bancário: Muito se fala sobre a sustentabilidade da Cassi. Na prática, quais são os principais desafios hoje e como sua gestão pretende garantir equilíbrio financeiro sem perder qualidade na assistência?


LB: Muitas vezes colocamos a questão financeira como algo que não dialoga com qualidade de vida, mas é o contrário. Nossas propostas trazem mais qualidade no atendimento e, justamente por isso, garantem sustentabilidade. Precisamos garantir o uso inteligente dos recursos. Um exemplo é a criação da rede referenciada: selecionar os melhores prestadores credenciados, qualificá-los e negociar melhor com eles. Grande parte dos custos decorre de desperdícios e de desfechos clínicos que poderiam ser evitados com prevenção. Internações e procedimentos poderiam ser reduzidos com uma atuação mais forte na prevenção. Nossa proposta é fortalecer a coordenação do cuidado, qualificar a rede credenciada e orientar o associado para o melhor uso do plano.


O Bancário: A Atenção Primária é um dos pilares da Cassi. Por que ela é estratégica para o futuro do plano e quais propostas a Chapa 2 apresenta para fortalecê-la?


LB: A Atenção Primária é nosso principal pilar e foi idealizada desde 1996. Avançamos muito ao longo dos anos, mas ainda funciona aquém do necessário para garantir sustentabilidade. Hoje, ela ocorre principalmente por meio das CliniCASSI. Queremos fortalecer a estrutura e integrá-la à rede referenciada. Também propomos integração do EPS (Exame Periódico de Saúde) com a Atenção Primária, garantindo continuidade no cuidado; criação de assessoria específica para participantes da Atenção Primária; expansão da Atenção Primária para além das CliniCASSI; ampliação de parcerias; criação de células avançadas, especialmente no interior, onde os desafios são diferentes das capitais. A Atenção Primária precisa ser proativa. Não podemos apenas esperar que o participante nos procure, precisamos levar o cuidado até ele.


O Bancário: A rede de atendimento é um ponto sensível para os associados. O que pode ser feito para ampliá-la e qualificá-la?


LB: Precisamos transformar ideias em ações práticas. A rede referenciada será formada a partir de dois critérios: avaliação do participante pelo aplicativo; avaliação técnica da Cassi, analisando desfechos clínicos, cumprimento de protocolos, ética e ausência de fraudes. A partir disso, criaremos redes temáticas integradas às CliniCASSI.


Em contrapartida, os prestadores deverão garantir: 


Prioridade no atendimento ao participante; Agilidade; qualidade; compartilhamento de prontuário (referenciamento e contrarreferenciamento). Isso permitirá acompanhar a jornada do participante e fortalecer ações preventivas e coordenação do cuidado.


O Bancário: Por que é fundamental que funcionários estejam na composição da Cassi?


LB: O sucesso da Cassi e da Previ se deve ao fato de serem geridas por funcionários. Quando estamos na gestão, temos lugar de fala. Existe o olhar técnico da sustentabilidade, mas também o olhar de cuidado, porque o plano é nosso. Como costumo dizer: “nada sobre nós sem nós”. Nós somos donos da Cassi. Fomos nós que a criamos. Precisamos estar na gestão para cuidar desse patrimônio.


O Bancário: Quais são os principais compromissos das Chapas 2 e 55? 


LB: O principal diferencial é a composição. As chapas reúnem representantes das maiores associações e sindicatos do país, abrangendo todas as regiões, garantindo representatividade no mandato. As propostas foram construídas em sinergia com o atual diretor, o que garante viabilidade e efetividade. Principais compromissos são criação das redes referenciadas e redes temáticas, expansão da Atenção Primária, parcerias estratégicas; fortalecimento do telesaúde; criação de células avançadas no interior; integração do EPS com a Atenção Primária.


Defendemos também o retorno de exames obrigatórios no EPS, como mamografia, ultrassom de mama, Papanicolau, PSA e até colonoscopia, diante do aumento de câncer em pessoas mais jovens.


Descobri um câncer agressivo em julho do ano passado porque o exame era obrigatório na Fundação Banco do Brasil. Fiz quimioterapia, operei e estou aqui hoje porque fiz o exame. Conscientização é fundamental, mas sabemos que a rotina é pesada  por isso a obrigatoriedade pode salvar vidas.


Também defendemos a revisão da LIMACA (Lista de Materiais e Medicamentos), especialmente para doenças crônicas como diabetes, hipertensão, colesterol alto e obesidade. Medicamentos como Ozempic e Mounjaro são eficazes, mas inacessíveis para muitos. A inclusão pode gerar economia ao evitar internações, cirurgias e complicações graves  além de garantir qualidade de vida. Esses são meus focos principais.


O Bancário: Se eleita, o que os associados podem esperar da sua atuação na gestão?


LB: Podem esperar compromisso, responsabilidade e muita dedicação. Tenho história dentro da Cassi e sei da importância que ela tem na vida de cada associado. Vou atuar com diálogo, transparência e foco na sustentabilidade com qualidade. Nosso compromisso é fortalecer a Atenção Primária, qualificar a rede e garantir um modelo perene de custeio.


O Bancário: Estamos às vésperas da eleição. Qual é sua mensagem final aos funcionários do Banco do Brasil e aposentados?


LB: Muitas vezes vemos o voto como algo chato, especialmente na ativa, na correria do dia a dia. Mas estamos falando da nossa saúde, da nossa família e da nossa aposentadoria. Eleições da Cassi e da Previ são o momento de escolher quem vai cuidar do nosso patrimônio. Quatro anos é tempo suficiente para fazer muita coisa, mas também para causar muito estrago. Por isso, é fundamental analisar a composição das chapas, conhecer as propostas e votar. Quando você se abstém, transfere essa decisão para outra pessoa.