Gestão e compromisso na Previ
Com mais de quatro décadas de vínculo com a Previ e trajetória marcada pela atuação sindical, Alencar Ferreira integra a Chapa 2 com o compromisso de fortalecer a participação dos mais de 190 mil associados e defender a gestão paritária. Em entrevista ao O Bancário, ele apresenta propostas, avalia o cenário atual dos planos e destaca os principais compromissos com funcionários e aposentados do BB.
Por Itana Oliveira
O Bancário - Quem é Alencar Ferreira, candidato a Diretoria de Administração da Chapa 2?
Alencar Ferreira - Eu entrei no BB em fevereiro de 1983. Depois, tive uma experiência bastante importante no movimento sindical. Fui um dos fundadores da Associação dos Bancários de Guarulhos, hoje Sindicato de Guarulhos. Nos anos 1990, fui diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, da antiga CNB (Confederação Nacional dos Bancários da CUT) e da atual Contraf. Também fui coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil nos anos 90, inclusive durante as reformas estatutárias da Cassi e da Previ. Fiz cursos na área de previdência e minha formação inclui mestrado em economia. Sou associado da Previ há 43 anos.
O Bancário - Como a Chapa 2 pretende fortalecer a participação dos associados nas decisões da Previ?
AF - Essa é uma pergunta muito relevante. Somos apoiados pelo movimento sindical, pelas duas confederações de bancários e pelas entidades nacionais do funcionalismo. Então, a ANABB, a FENABB e a FBB estão conosco. Isso é muito importante para ganhar a eleição, óbvio, mas é ainda mais importante na gestão da Previ, porque queremos manter um canal direto de comunicação com os mais de 190 mil associados. Ao longo dessas mais de quatro décadas passei por diversas conjunturas, em que nossos interesses foram atacados, sejam na Previ, Cassi ou direitos trabalhistas. E foram essas entidades que estavam do lado dos funcionários do BB. Na mesa do presidente da Câmara dos Deputados, há o PLP 268, que prevê a extinção da gestão paritária nos fundos de pensão. É um ataque frontal aos interesses dos associados da Previ. Eles querem acabar com um pilar fundamental da governança da Previ. Se isso for a plenário, com quem a gente vai tratar? Com os sindicatos e com as entidades nacionais. Eu não acredito em independência. Tem chapa que fala “eu sou independente”. Independente, se você quiser ser, se isola em uma ilha e fica lá. O homem é essencialmente social e nós sabemos disso.
O Bancário - Qual é o principal compromisso da Chapa 2 com os trabalhadores e aposentados da Previ?
AF - A Chapa 2 tem diversas propostas para os diferentes públicos da Previ e estamos aprofundando cada uma delas. No Plano 1, vamos continuar com a estratégia de imunização de passivos, que consiste em, lentamente e aproveitando boas oportunidades de mercado, migrar da renda variável para a renda fixa. Para o Plano Previ Futuro, tivemos uma vitória importante no ano passado: a atualização da tabela PIP. Mas entendemos ser necessário atualizar a fórmula da PIP, criada em 1998, quando a estrutura de carreira era outra. Também queremos incluir a remuneração variável, PDG e PLR, na contribuição 2B, com uso da tabela PIP. Hoje isso só é possível pela 2C, sem contrapartida do banco. É fundamental que, a cada real contribuído, o banco coloque outro, dobrando o valor acumulado. Outro foco são os perfis de investimento de ciclo de vida e pré-aposentadoria. Temos observado que muitos colegas erram ao escolher perfis tradicionais, entrando no agressivo na alta e saindo na baixa, prejudicando a rentabilidade. Nos ciclos de vida, o associado define sua estratégia previdenciária, quando pretende se aposentar, e a alocação se ajusta automaticamente: mais renda variável no início e mais renda fixa próximo da aposentadoria. Também temos propostas para a Capec. Hoje, menos da metade dos participantes do Previ Futuro possui Capec.
O Bancário - A Chapa 2 afirma que o Plano 1 está equilibrado. Quais são os dados ou critérios que sustentam essa avaliação hoje?
AF - Quando a gente pensa em previdência, temos de pensar no longo prazo. A Previ tem uma política de liquidez para o pagamento da folha nos próximos meses. Ela é robusta, adequada. A gestão do nosso portfólio também é de longo prazo. No caso do Plano 1, são R$ 255 bilhões. No Previ Futuro, R$ 42 bilhões. E, em gestão de longo prazo, a gente não pode cair no pavor do dia a dia: o mercado subiu, “que bom”; o mercado caiu, “que ruim”. Não é assim. A visão é sempre de longo prazo. Tivemos fatores conjunturais, em 2024, fatores de mercado e fatores regulatórios, que eu posso explicar melhor na sequência, que afetaram o resultado daquele período. Mas, em 2025, com as questões regulatórias resolvidas e com o mercado valorizando, o Plano 1 da Previ teve, no ano, superávit de R$ 15 bilhões. E, no acumulado, o importante, R$ 12,5 bilhões.
O Bancário - Por que os associados devem votar na Chapa 2?
AF - Temos uma história de compromisso com a Previ, uma história de vitórias. Conquistamos a gestão paritária e defendemos sempre os interesses dos associados. Já enfrentamos momentos difíceis, inclusive com intervenção do órgão regulador, e sempre estivemos ao lado da maioria dos funcionários. Nossa chapa é apoiada pelo movimento sindical e pelas entidades nacionais, e representa a diversidade. É a única com uma mulher candidata à diretoria, Lissane Holanda (Planejamento), uma profissional com trajetória sólida no Banco do Brasil e atual vice-presidente da ANABB. Temos também diversidade racial, LGBTQIA+ e representantes de todas as regiões do país. Analise nossas propostas, pense no seu futuro e vote Chapa 2. Vem com a gente.
