Encarnação do ultraliberalismo
Somente no primeiro trimestre deste ano, os dois bancos juntos registraram lucratividade líquida de R$ 19 bilhões, sendo R$ 12,2 bilhões do Itaú mais R$ 6,8 bilhões do Bradesco.
Por Rogaciano Medeiros
A maior expressão do violento projeto ultraliberal é o sistema financeiro, também chamado de rentismo, por apenas se preocupar com o lucro, sem a menor responsabilidade social, a mínima preocupação com o ser humano. E isto fica comprovado na análise do lucro líquido alcançado por dois dos maiores bancos privados em atuação no Brasil, hoje, que são o Itaú e o Bradesco.
Somente no primeiro trimestre deste ano, os dois bancos juntos registraram lucratividade líquida de R$ 19 bilhões, sendo R$ 12,2 bilhões do Itaú mais R$ 6,8 bilhões do Bradesco. É o setor, disparadamente, mais lucrativo da economia brasileira, com cifras cada vez mais crescentes, de forma escandalosa.
Ano passado, conjuntamente Itaú e Bradesco demitiram 6.551 trabalhadores e fecharam 1.770 pontos de atendimento, a maioria agências. O movimento bancário, como o Sindicato da Bahia, tem lutado de todas as formas para conter a política do sistema financeiro de empurrar a clientela para o ambiente virtual, encerrando as unidades físicas e o atendimento presencial, com sérios prejuízos para toda a sociedade, para as economias das pequenas cidades e periferias, atingindo pessoas jurídicas e físicas.
O terrível Itaú
O Brasil continua sendo o paraíso do mercado de capitais. Somente no primeiro trimestre deste ano, o Itaú teve lucro líquido de R$ 12,2 bilhões, um aumento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025.
No ano passado, o banco registrou lucratividade de R$ 46,8 bilhões, um escândalo, se considerada a pífia contrapartida que oferece à sociedade e aos bancários, responsáveis pela geração de tanta riqueza.
Nos 12 meses encerrados em março passado, o banco mais lucrativo em operação no país promoveu 4.624 demissões e fechou 370 agências. Isto apesar de ter acumulado mais 1,678 milhão de novos clientes. O total chega a 100,9 milhões.
Sinistro Bradesco
O Bradesco reproduz fielmente a irresponsabilidade social que caracteriza todo o sistema financeiro. O lucro a qualquer custo e danem-se a sociedade e os bancários.
A lucratividade líquida no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 6,811 bilhões, que significa 16,1% superior a do mesmo período de 2025. Como se vê, um crescimento exuberante, conseguido à custa dos juros e altos preços dos serviços prestados, além da exploração dos empregados.
Apesar de tanto dinheiro e do fabuloso lucro de R$ 24,6 bilhões no ano passado, fechou 1.400 agências – 48 na Bahia – e demitiu 1.927 funcionários.


